IA na medicina: o que a Resolução CFM 2.454 permite

Atualizado 8 min de leituraComo testamos
Em resumo

Resposta curta: Segundo a notícia oficial do CFM, a Resolução CFM nº 2.454/2026 permite usar IA como apoio à decisão clínica, gestão em saúde, pesquisa e educação continuada, respeitados os limites éticos e legais, com decisão diagnóstica, terapêutica e prognóstica final do médico. A notícia informa vigência em 180 dias após a publicação no DOU, direito do paciente a ser informado sempre que houver uso de IA e classificação dos sistemas em risco baixo, médio, alto e inaceitável.

O que a Resolução CFM nº 2.454/2026 muda na prática?

A resolução normatiza o uso de IA na medicina em todo o Brasil e estabelece seu papel exclusivamente de apoio. Lemos a notícia oficial do CFM, conferida em 20/10/2026, não o texto integral da resolução no DOU, que não abriu para nós; consulte a íntegra antes de definir procedimentos no seu serviço.

A notícia informa publicação numa sexta-feira, dia 27, e entrada em vigor em 180 dias. Não calculamos aqui uma data de vigência.

Além dos usos resumidos acima, estes pontos merecem atenção:

  • O médico pode recusar tecnologias não validadas cientificamente, sem certificação regulatória pertinente ou contrárias a princípios éticos.
  • Não será responsabilizado indevidamente por falhas atribuíveis aos sistemas, desde que comprovado o uso diligente, crítico e ético.
  • O paciente tem direito à informação clara e acessível sobre o uso de IA, à privacidade e à confidencialidade dos dados.
  • O paciente tem direito a não ser submetido a intervenções experimentais sem consentimento específico.
  • Instituições que desenvolvam ou usem sistemas próprios devem instituir governança interna.

Como recomendação operacional, prepare um fluxo de revisão, registro do apoio utilizado e informação ao paciente. Isso não define quais documentos bastam para cumprir a resolução. O guia de IA para médicos e enfermeiros ajuda a situar as tarefas de apoio na rotina.

O que o médico pode, não pode e o que depende?

O médico pode usar IA como apoio, mas não transferir a ela a decisão final nem desconsiderar os direitos do paciente. A tabela resume a notícia oficial; condições específicas devem ser conferidas na resolução integral.

Base: notícia oficial do CFM, conferida em 20/10/2026.

Atualizado
SituaçãoPode / não pode / dependeCondição ou limite informado
Apoiar a decisão clínica com IAPodePalavra final sempre do médico
Usar IA em gestão, pesquisa e educação continuadaPodeRespeitar os limites éticos e legais
Recusar tecnologia não validada, sem certificação pertinente ou contrária à éticaPodeDireito do médico
Delegar a decisão diagnóstica, terapêutica ou prognóstica finalNão podeIA exclusivamente como apoio
Usar IA sem informar o pacienteNão podeInformação clara e acessível sempre que utilizada
Realizar intervenção experimental sem consentimento específicoNão podeDireito do paciente ao consentimento específico
Atribuir responsabilidade ao médico por falha do sistemaDependeNão cabe responsabilização indevida quando comprovado uso diligente, crítico e ético
Desenvolver ou usar sistema próprio na instituiçãoDependeInstituir governança interna
Definir o uso conforme o nível de riscoDependeConferir na íntegra as exigências de cada classificação

Tabela atualizada em

A condição relativa à responsabilidade não equivale a uma isenção geral. Como precaução prática, documente o uso, a revisão e as correções conforme o fluxo institucional. A notícia consultada não permite afirmar qual registro seria suficiente para comprovar diligência.

A IA pode decidir ou comunicar o diagnóstico ao paciente?

A decisão final é sempre do médico; sobre quem pode comunicar o diagnóstico, a notícia consultada não fornece detalhamento suficiente. Não atribuímos à resolução uma proibição específica que não conseguimos verificar na fonte oficial disponível.

Para organizar o trabalho, sugerimos separar estas tarefas:

  • Rascunho documental: organizar a transcrição sem acrescentar achados, diagnósticos ou condutas. O médico confere o conteúdo antes de utilizá-lo.
  • Apoio à decisão: tratar a saída como material sujeito a análise crítica, preservando a decisão final do médico. Não atribua ao médico uma hipótese que ele não formulou.
  • Texto destinado ao paciente: revisar conteúdo, pendências e linguagem antes da entrega pelo profissional responsável.

No prompt de evolução abaixo, a instrução de não redigir comunicações sobre diagnóstico, prognóstico ou conduta é uma restrição do fluxo proposto, não uma citação de obrigação legal verificada. Já a tarefa de orientação ao paciente parte de orientações previamente fornecidas pela equipe.

O direito de recusar tecnologias sem validação científica ou certificação regulatória pertinente continua relevante. Os nossos testes de redação não verificam essas condições.

Como preparar um rascunho sem expor dados do prontuário?

Use material sem identificadores e peça um rascunho com pendências explícitas, sem tratar isso como garantia de conformidade. A LGPD, Lei 13.709/2018, rege o tratamento de dados pessoais, inclusive em meios digitais, por pessoas físicas e jurídicas, públicas ou privadas; a notícia do CFM confirma os direitos à privacidade e à confidencialidade.

Como precaução, não cole dados identificáveis em ferramenta de uso geral. Confirme com os responsáveis por proteção de dados da instituição as condições de uso do fornecedor. Retirar nomes não dispensa essa avaliação.

O fluxo sugerido é: preparar uma entrada sem identificadores, solicitar rascunho e pendências, comparar a saída com a entrada, corrigir e só então incorporar o conteúdo aprovado ao trabalho. Inclua também a informação ao paciente sobre o uso de IA. Não afirmamos ter testado esse fluxo assistencial completo.

Este modelo foi adaptado de um prompt testado na nossa rodada de outubro de 2026. A versão abaixo não foi avaliada separadamente.

Atue como assistente de documentação clínica em clínica geral no Brasil. Use apenas a transcrição abaixo para redigir um rascunho de evolução SOAP de até 400 palavras, incluindo os itens complementares.

1. Na primeira linha, identifique o texto como rascunho de apoio gerado com IA, a ser revisado, corrigido e assinado pelo médico responsável. Destaque as alergias e reações relatadas; se ausentes, registre "Alergias: não informadas (pendente, a confirmar)".
2. Organize S, O, A e P. Preserve os valores dos sinais vitais, com unidades clínicas convencionais. Diferencie medidas e percepções relatadas pelo paciente das aferições na consulta.
3. Preserve as hipóteses, os exames e as condutas formulados pelo médico. Não transforme hipóteses em diagnósticos confirmados nem acrescente informações clínicas.
4. Em "Pendente / a confirmar", liste dados não aferidos, detalhes não informados das condutas, situação dos exames solicitados, contradições e pedidos que dependam do médico. Não apresente conduta contraditória como recomendação validada.
5. Sugira uma linha para registrar no prontuário o uso de IA como apoio, com responsabilidade final do médico.

Segundo a notícia oficial do CFM sobre a Resolução CFM nº 2.454/2026, a IA é exclusivamente ferramenta de apoio; a palavra final sobre decisões diagnósticas, terapêuticas e prognósticas é do médico.

Neste fluxo, não redija comunicações ao paciente sobre diagnóstico, prognóstico ou conduta. Registre esses pedidos como pendências do médico. Não reproduza nomes ou identificadores pessoais.
Não invente números, datas, normas, valores, diagnósticos, códigos CID, exames, medicamentos ou posologias. Sinalize ambiguidades e o que o médico precisa verificar antes de assinar.

Transcrição:
[INSIRA MATERIAL FICTÍCIO OU ANONIMIZADO, SEM NOMES, CPF, CNS, TELEFONE, ENDEREÇO OU OUTROS IDENTIFICADORES]

Consulte os prompts para profissionais de saúde para a tarefa de orientação ao paciente e suas notas de teste. Não informamos preços de planos aqui; preços em reais, com impostos, devem ser conferidos na página brasileira do fornecedor.

Como os modelos se saíram nas tarefas clínicas em português?

Na nossa rodada de testes de outubro de 2026, os resultados variaram entre os modelos, mas parte da diferença vem do rigor desigual dos avaliadores. Para Opus, Sonnet e GPT, foram chamadas via API, em ambiente de execução por linha de comando, sem ferramentas, acesso à web ou memória, não testes nos aplicativos de consumo; os resultados nesses aplicativos podem diferir. Claude Fable 5.1 e Gemini 4 Argon foram acrescentados em 20/10/2026 com os mesmos prompts e rubricas: Fable no mesmo ambiente via API e Gemini pela Antigravity CLI do Google, com agente sem ferramentas, também fora do aplicativo.

Resultados de 19/10/2026 (Claude Fable 5.1 e Gemini 4 Argon: 20/10/2026), segunda rodada. As colunas por tarefa mostram a média de critérios atendidos e as execuções com todos os critérios atendidos.

Atualizado
Modelo via APIMédia em saúde pt-BRTodos os critériosEvolução SOAPOrientação ao paciente
Claude Opus 5.577%2 de 6 execuções3 de 5 critérios; 0 de 3 execuções4,67 de 5 critérios; 2 de 3 execuções
Claude Sonnet 557%0 de 6 execuções2 de 5 critérios; 0 de 3 execuções3,67 de 5 critérios; 0 de 3 execuções
GPT-6 Astra100%6 de 6 execuções5 de 5 critérios; 3 de 3 execuções5 de 5 critérios; 3 de 3 execuções
Claude Fable 5.173%2 de 6 execuções3,33 de 5 critérios; 1 de 3 execuções4 de 5 critérios; 1 de 3 execuções
Gemini 4 Argon87%4 de 6 execuções3,67 de 5 critérios; 1 de 3 execuções5 de 5 critérios; 3 de 3 execuções

Tabela atualizada em

Ressalva dos avaliadores: saídas Claude e Gemini foram avaliadas pelo GPT-6 Astra; saídas GPT, pelo Claude Opus 5.5, portanto os percentuais de GPT não são diretamente comparáveis aos dos demais. Na calibração da segunda rodada de outubro de 2026, em 10 execuções Claude, o avaliador publicado aprovou 74% dos critérios e o alternativo, 86%. Em 10 execuções GPT, ambos aprovaram 98%. Um agente editor, não humano, releu 10 vereditos sem conhecer a avaliação e concordou com 9. Esses dados também se referem às saídas via API, não aos aplicativos.

Parte da diferença Claude versus GPT decorre, portanto, do avaliador. Opus, Sonnet, Fable e Gemini compartilham o mesmo avaliador, o GPT-6 Astra, mas esses resultados não autorizam chamar um modelo de melhor no geral.

A segunda rodada incluiu armadilhas deliberadas, como total errado e conversão de unidade errada, que reduziram as notas de todos os modelos. Não se deve calcular uma média entre a primeira e a segunda rodada.

Na nossa rodada de outubro de 2026, os principais motivos de perda de critérios foram acréscimos não fornecidos na entrada, como aviso, data, benefício ou premissa legal, e, nos modelos Claude, limites de palavras. A metodologia dos testes explica a avaliação. “Testado” significa ao menos 2 execuções concluídas e avaliadas, não aval profissional.

Limites deste artigo: não é orientação jurídica, médica ou de proteção de dados. Profissionais habilitados no Brasil devem verificar o texto integral da resolução, as exigências de risco e governança, o tratamento de dados e as condições do fornecedor, além do fluxo de registro e informação ao paciente. O médico responsável precisa conferir todo conteúdo clínico antes de utilizá-lo.

Perguntas frequentes

Quando a Resolução CFM nº 2.454/2026 entra em vigor?

Segundo a notícia oficial do CFM, a Resolução CFM nº 2.454/2026 entra em vigor em 180 dias após a publicação no DOU, mencionada como uma sexta-feira, dia 27. Lemos a notícia, não a íntegra da resolução. Confira a data completa e a contagem do prazo na publicação oficial antes de ajustar os procedimentos do serviço.

Preciso avisar o paciente que usei ChatGPT ou outra IA?

Sim. Segundo a notícia oficial sobre a Resolução CFM nº 2.454/2026, o paciente tem direito a ser informado, de forma clara e acessível, sempre que a IA for utilizada. A fonte consultada não permite definir um formato suficiente de aviso ou registro. Confira a íntegra e estabeleça o procedimento com a instituição.

Se a IA errar, a responsabilidade é do médico?

A notícia sobre a Resolução CFM nº 2.454/2026 afirma que não haverá responsabilização indevida por falhas atribuíveis aos sistemas quando comprovado uso diligente, crítico e ético. Isso não é isenção geral. Documentar uso, revisão e correções é uma recomendação operacional, sem garantia de suficiência jurídica. A decisão diagnóstica, terapêutica e prognóstica final permanece com o médico.

Posso colar dados do prontuário no ChatGPT ou no Claude?

Como precaução, não cole dados identificáveis em ferramenta de uso geral. A LGPD, Lei 13.709/2018, rege o tratamento de dados pessoais; a notícia sobre a Resolução CFM nº 2.454/2026 confirma privacidade e confidencialidade. Retire identificadores, confira o material e valide as condições do fornecedor com a instituição. Essa preparação não garante conformidade.

Fontes

Links verificados em